Palestra realizada em Ourinhos abordou diferentes tipos de “Violência Familiar contra Crianças e Adolescentes” PDF Imprimir E-mail
Qua, 09 de Novembro de 2011 17:40

A palestra promovida pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, no último dia 14, proferida pelo Médico e Professor Universitário, Ayrton Margarido, que abordou o tema "Violência familiar contra crianças e adolescentes" teve a participação de centenas de pessoas de Ourinhos e de outras cidades da região, como: Manduri, Ipaussu, Herculândia, Jacarezinho, Chavantes, Palmital, Ibirarema, Bernardino de Campos, Salto Grande, São Pedro do Turvo e Espírito Santo do Turvo.

O público presente foi composto por técnicos da área social, da saúde, da educação e jurídica, dentre outras.

Durante a palestra, Dr. Ayrton Margarido, autor do livro "O muro do silêncio", que relata os diferentes tipo de violência doméstica contra as crianças e adolescentes, falou sobre os principais fatores que dificultam a identificação destes casos, os tipos de violência praticadas, os sinais apresentados pelas vítimas e de que forma os profissionais que fazem o atendimento de casos de violência familiar, podem atuar para combater este grave problema existente no Brasil e no Mundo.

Características da violência doméstica contra crianças e adolescentes

Segundo Dr. Ayrton, "a violência familiar contra a criança e adolescente, na maioria das vezes ocorre em casa e o 'muro do silêncio' protege a família e impede a denúncia. Só quem já tem um vínculo ou acesso familiar consegue se aproximar da vítima e fazer uma intervenção adequada".

 

O palestrante disse ainda que geralmente quem pratica violência infantil, com certeza foi vítima enquanto criança e explicou que os tipos de violência contra as crianças e adolescentes se dividem da seguinte forma:

• Violência física: se estabelece em relações de poder. Por exemplo: chutes, tapas, palmadas, empurrões, sacudidas, SBS - (Síndrome do Bebe Sacudido), síndrome Munchausen - conseguia ludibriar, inventar uma história para explicar as lesões que estão na criança, vitimá-la para levar vantagem, chamar a atenção por uma causa;
• Violência sexual: relação do poder: verbal, exibicionismo, voyeurismo (se a pessoa parar e ficar olhando maliciosamente a criança ou adolescente se despir, também esta cometendo a violência), ato sadismo, pornografia, exploração, incesto, estupro, tráfico para propósitos sexuais;
• Violência psicológica: humilhação, rejeição, isolamento, privação do amor, ameaças, xingamentos.

Fatores de risco para ocorrência de violência familiar

Pais com histórias de maus tratos, gravidez adolescente sem suporte psicossocial, gravidez não planejada ou negada, gravidez de risco, depressão na gravidez, falta de acompanhamento pré-natal, pais possessivos e ciumentos em relação aos filhos, pai e mãe com múltiplos parceiros, expectativas demasiadamente altas em relação à criança, perda fácil de autocontrole, estilo disciplinar rigoroso.

Indícios de violência familiar contra crianças e adolescentes

Criança que não gosta de ser tocada, criança que na frente dos responsáveis tem comportamento diferenciado, "retardo" psicomotor sem causa definida que melhora longe dos responsáveis, transtorno do sono, alimentação, episódio de medo e pânico, isolamento e depressão, conduta agressiva e irritabilidade, interesse precoce em brincadeiras sexuais ou conduta sedutora, choro sem motivo aparente, comportamento submisso, desenho ou brincadeira que sugerem violência, baixo nível de rendimento e desempenho escolar, fugas, mentiras, furtos, tentativa de suicídio (geralmente, na adolescência, se não for por causa de fim de namoro, é por violência sexual), baixa autoestima, aversão a qualquer atividade de conotação sexual.

Papel dos profissionais que atendem casos de violência familiar

O papel dos técnicos que atendem demandas de violência infantil deve ser, ao contrário de visar a punição, resgatar as famílias. A denúncia pode modificar o comportamento, uma vez que o profissional fique sabendo da violência, deve identificar as famílias, levar os conceitos de violência para as comunidades atendidas, envolver as pessoas em uma rede de apoio, formar grupos socioeducativos e de adolescentes, organizar oficinas e resgatar os valores. Além disto, devem se articular com lideranças comunitárias, para formar uma rede de proteção que atenda a todos da comunidade.

 

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