Palestra discute violência contra crianças e adolescentes em Jaraguá do Sul PDF Imprimir E-mail
Qua, 09 de Novembro de 2011 17:30

Cerca de 150 pessoas estiveram no evento. Intenção é reforçar a rede de proteção no município.

No Brasil, 74 crianças são vítimas de algum tipo de violência a cada hora. De 11 casos ocorridos, apenas um é registrado formalmente. De todas as agressões, 50% partem da mãe, 30% do pai e 20% de outros (extensão da família e amigos). Cerca de 60% dos brasileiros afirmam ter sido vítimas de castigos físicos, 10% das crianças que dão entrada em pronto-atendimentos são vítimas de violência, destes, 60% não possuem lesão aparente. A Secretaria de Assistência Social e o Serviço de Enfrentamento à Violência, Abuso e Exploração Sexual à Criança e Adolescente de Jaraguá do Sul estiveram durante toda a manhã de ontem no Cejas (Centro Empresarial de Jaraguá do Sul) para pensar sobre a violência infanto-juvenil e assistir à palestra “Enfrentando a violência doméstica contra crianças e adolescentes: percepção e conceitos do fenômeno”. O palestrante, o médico pediatra Ayrton Margarido, é especialista em Violência Doméstica Contra a Criança e o Adolescente pelo Laboratório de Estudos da Criança (Lacri) da USP (Universidade de São Paulo).

A secretária de Assistência Social do município, Edimara Orzechowski de Souza afirma que a mobilização contra a violência sexual infantil tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância de se atentar e denunciar os casos de violência. “Queremos chamar a atenção da comunidade”, salienta. Dos 149 inscritos, a maioria era mulheres, profissionais técnicas. De acordo com a organização, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais e professores têm participação importante no processo de percepção da criança violentada. “Pena que não temos muito a participação da comunidade”, lamenta a secretária. O evento foi gratuito e aberto a maiores de 18 anos.

Números em Jaraguá do Sul

Em Jaraguá, como em todo o Brasil e no mundo, os números são preocupantes. Em 2010, aproximadamente 100 crianças e adolescentes sofreram algum tipo de violência, seja ela sexual, física ou psicológica (lembrando, segundo o médico Ayrton Margarido, que a violência sexual também é considerada física e psicológica). Do início de 2011 até este mês, 133 crianças e adolescentes foram vitimados pela violência apenas em Jaraguá. Outro dado comum é que a maioria dos abusos é cometida pelos pais, padrasto ou alguém muito próximo à família.

Mais sobre os casos de Jaraguá
“A violência desconhece barreiras geográficas e financeiras”, afirma Ayrton. As estatísticas de Jaraguá comprovam esta afirmação. Segundo Mariléia Freitag, coordenadora do Serviço de Enfrentamento, grande parte dos casos ocorre em regiões mais periféricas, no entanto, não é regra. A violência está nas famílias de diferentes classes sociais, mesmo onde há pessoas mais instruídas. “Acontece que nas famílias com maior poder aquisitivo ou não há denúncia ou se procura ajuda particular”, comenta Mariléia. De acordo com a coordenadora, as 133 ocorrências são apenas as formalizadas: “há aquelas que não são registradas. O número pode ser maior”, ressalta. A faixa etária dos violentados no município vai dos três aos 11 anos. E são meninas e meninos.

Atentar-se aos sinais é caminho para a denúncia
O Serviço de Enfrentamento aponta que, normalmente, as denúncias partem dos vizinhos ou de professores. O caminho para denunciar é contatar o Conselho Tutelar do município, que encaminhará a criança para o tratamento psicológico entre outras providências. Em Jaraguá, os programas de prevenção são realizados pelos Cras (Centro de Referência de Assistência Social) com palestras e acompanhamento da família como um todo. “A vítima de ontem é quem vitima hoje”, destaca Ayrton. Ele afirma que quando o violentador é interrogado a fundo, descobre-se que na infância aquele sujeito também passou por algum episódio de violência. Os fatores de risco são: pais com história de maus tratos, abuso sexual ou rejeição e abandono na infância, gravidez de pais adolescentes sem suporte psicossocial, gravidez não planejada, negada ou de risco, pai ou mãe com múltiplos parceiros, pais possessivos com os filhos, entre outros.

Ayrton alerta sobre quando suspeitar: aversão ao contato físico, apatia ou avidez afetiva, retardo psicomotor sem causa definida que melhora longe da família, transtorno do sono ou alimentação, episódios de medo e pânico, isolamento e depressão, conduta agressiva, interesse precoce em brincadeiras sexuais ou conduta sedutora, choro fácil sem motivo aparente, comportamento submisso, desenho ou brincadeira que sugerem violência, baixo nível de desempenho escolar, tentativa de suicídio, baixa auto-estima, aversão a qualquer atividade de conotação sexual, fugas, mentiras, furto e uso de drogas. Para denunciar, disque 100.

 

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